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Motivação e desejo: como a consciência humana toma decisões

 NEUROCIENTISTA AULA MAGNA

Carla Tieppo em apresentação durante a Semana de Recepção aos Calouros  - Foto: Adriana Carrer

 

Aula Magna para a turma 83ª de Medicina Veterinária foi destaque na programação na Semana de Recepção aos Calouros 2017

Por Adriana Carrer - publicado em 15 de março de 2017

A aula inaugural "O Cérebro e o Livre Arbítrio: como construir o futuro que realmente desejamos" foi ministrada pela neurocientista, médica veterinária, pesquisadora e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Carla Tieppo, na manhã do dia 7 de março no Anfiteatro “Altino Antunes” da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP. O evento integrou as atividades da Semana de Recepção aos Calouros 2017 e contou com a presença da Comissão de Recepção (CDR), funcionários, docentes e alunos da 83ª turma da Faculdade.

Carla, ex-aluna da FMVZ, abriu a apresentação emocionada. “É como se eu tivesse a chance de falar comigo mesma há 20 anos”, comentou, lembrando de seu início na Faculdade. Ainda no começo, propôs uma reflexão sobre o que realmente os alunos desejam construir para suas carreiras. A neurocientista falou sobre o conceito do determinismo biológico, no qual as características físicas e psicológicas do ser humano são determinadas por sua raça, nacionalidade ou por qualquer outro grupo específico a qual pertença, o que define como cada um reage em diferentes ambientes e situações. Segundo ela, uma das formas de contornar esse condicionamento é sempre perguntar durante a graduação o que realmente se deseja, uma vez que isso direciona os focos de estudo de cada um. “Aqui, o desejo é a válvula da motivação”, enfatizou.

Quanto ao conceito de livre-arbítrio, Carla falou sobre o experimento do cientista norte-americano Benjamin Libet envolvendo mediação da atividade do cérebro durante o processo de tomada de decisão para compreender melhor as relações estabelecidas entre fenômenos neurológicos e a atividade da vontade. Uma das constatações da pesquisa é que o cérebro toma decisões primeiro e posteriormente a pessoa experimenta essa decisão. Ou seja, aproximadamente dois segundos antes de conscientemente tomar alguma decisão, já existe atividade elétrica dentro das áreas motoras corticais iniciando essa ação.

Segundo Carla, somente dois segundos depois que a atividade começou, portanto, é que o ser tem a sensação de agir sobre aquilo. Com esse processo, o indivíduo seria apenas informado pelo cérebro sobre a ação que já está programada para acontecer, mas associa essa decisão ao seu livre-arbítrio, e não a comandos biológicos do próprio corpo.  O sistema límbico, unidade responsável pelas emoções e comportamentos sociais, pode corroborar para a visão de que o comportamento humano é probabilístico, e, portanto, inconsciente.

Carla também explicou sobre as circunvoluções, concavidades e saliências do cérebro humano, que permitem maior capacidade de processamento, quando comparada ao cérebro de outros animais: quanto mais circunvoluções existentes na massa encefálica, maior a densidade e quantidade de neurônios. Em geral, continua ela, as aulas trazem memórias de baixa motivação e envolvimento, quando comparadas a pulsos de maior dopamina, como a prática de esportes. Esse comportamento geraria no indivíduo a procura por motivação em ambientes externos a ele, esperando que o meio proporcione um determinado comportamento e não uma conduta gerada a partir de estímulos e vontades internas do próprio indivíduo. Essa conduta seria, portanto, típica de quem abre mão de exercer seu livre-arbítrio.

Segundo a neurocientista, para evitar esse comportamento condicionado, o aluno deve construir as aulas em parceria com os professores, configurando um processo de troca e contribuição mútua. “As rédeas precisam ser tomadas na direção da própria vida: na universidade não se deve estudar para provas, mas para construir o futuro que se deseja”, enfatizou.

Por fim, destacou a ampla atuação do médico veterinário no mercado de trabalho e sua relevância para a sociedade. Aplaudida de pé ao final da aula, a ex-aluna também se emocionou ao compartilhar suas experiências com os calouros relembrando suas próprias vivências na Faculdade.

 

Confira a palestra completa aqui.