Logo USP

facebook

english

español

Estudo relaciona práticas de manipulação de alimentos e Ciências Sociais para analisar vigilância sanitária em mercado alimentício

Créditos foto: Qualittas

 Por Bianka Vieira - AUN (Edição: 80, ano: 49)

 

Cada vez mais recorrente, as interdições e multas recebidas por estabelecimentos do setor alimentício provocam receio e apreensão nos consumidores. Higienização inadequada, alimentos contaminados e até mesmo fezes de roedores são comumente relatadas por consumidores: só no Rio de Janeiro, por exemplo, a Vigilância Sanitária municipal estipula que a cada 24 horas, 20 multas por irregularidades sejam aplicadas a bares, restaurantes e lanchonetes.

Para entender as relações humanas no trabalho e seu desempenho no setor de alimentação coletiva, um estudo realizado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP relacionou aspectos das Ciências Sociais com a Medicina Veterinária para identificar e propor soluções para o problema sanitário.

Simone de Carvalho Balian, professora livre-docente do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da FMVZ, explica que as Ciências Sociais, como a Sociologia e a Antropologia, abarcam recursos que permitem compreender melhor o comportamento humano e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições. “A partir desse comportamento, é possível entender o porquê de certas práticas, resistências, desempenhos e relações mais fáceis ou difíceis entre colegas de trabalho e entre níveis hierárquicos”, explica. “No caso da manipulação dos alimentos, todos esses aspectos refletem diretamente no desempenho das boas práticas de higiene e manipulação dos alimentos, no cumprimento de procedimentos e operações rotineiras inerentes ao trabalho".

Nesse âmbito de estudos, a principal motivação para a realização do projeto foi a escassez de estudos que relacionem as temáticas da qualidade higiênica e sanitária dos alimentos e comportamento organizacional.

O estudo está voltado especificamente à alimentação humana, com alimentos de origem animal e vegetal. De acordo com a pesquisadora, as boas práticas de higiene e manipulação são fundamentais em qualquer natureza de preparação, produção, manipulação e comercialização. “Somente através da manipulação higiênica é possível obter produtos seguros que não representem risco de doença de origem alimentar".

Dada a importância de se melhorar a qualidade de vida no trabalho dos manipuladores de alimentos e nas demais áreas que abrangem a sua vida, a pesquisa orientada por Simone buscou identificar as situações, condições, clima e relação entre as pessoas que contribuem de forma positiva para o bom relacionamento entre os trabalhadores. Dessa forma, garante-se o cumprimento das melhores práticas para com os alimentos e, consequentemente, a segurança sanitária dos alimentos destinados ao consumidor.

Observação e entrevista como método de pesquisa

A pesquisa se caracterizou como um estudo de caso com enfoque participativo, isto é, com a participação tanto do pesquisador no contexto, quanto dos sujeitos envolvidos no processo.

Balian explica que, ao se utilizar de técnicas de pesquisa como a observação e a entrevista, o estudo de caso se propõe a realizar um exame detalhado de um ambiente, sujeito ou situação para responder a questões de “como” e “por que” certos fenômenos ocorrem. Além disso, também foram utilizadas técnicas simples de estatística para a análise de dados coletados por meio do uso de questionários.

“Creio que há urgente necessidade de integrar outras áreas do conhecimento na pequisa relacionada ao setor da higiene e da segurança sanitária dos alimentos”, afirma. “Todas as práticas para com os alimentos são executadas ou conduzidas por pessoas que precisam, além da capacitação técnica, serem compreendidos com relação às suas necessidades pessoais de segurança, bem estar e reconhecimento".