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Tecnologia salva ave recolhida no CPTRAS-USP

Red breasted toucan Brazil

Tucano-de-bico-verde saudável, como o salvo pelo CPTRAS. Imagem ilustrativa. Foto: Wikipédia

Um tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolurus) apresentava uma deformidade no bico superior, o que dificultada a sua alimentação. No final de agosto, uma prótese desenvolvida em uma impressora 3D foi fixada com resina no bico afetado. O Procedimento foi realizado pelo doutorando do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, Roberto Fecchio. Poucas horas após a cirurgia o animal já estava se alimentando normalmente. A ave foi apreendida pela Polícia Florestal no início de 2013 e encaminhada ao Centro de Pesquisa, Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (CPTRAS) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.

O processo todo envolveu a moldagem do bico com gesso dentário, confecção de réplica em 3D, a partir da qual foi feita a simulação da prótese e em seguida a sua “impressão” 3D. Segundo Fecchio, “o material utilizado foi o ácido polilático (PLA), um polímero derivado do milho”. Com a prótese pronta e o animal preparado, continua ele, “realizei a cirurgia, fixando a prótese com resinas odontológicas especiais e o resultado foi satisfatório”, concluiu. Fecchio começou a utilizar esta técnica este ano e já comemora seu terceiro caso de sucesso.

Segundo o Professor Ricardo José Garcia Pereira, Coordenador do CPTRAS, “O tucano desperdiçava alimento, pois não conseguia manipular direito os diferentes itens de sua dieta e precisava ficar isolado para não ter de concorrer com outras aves em condições normais. A deformidade também era empecilho na sua destinação para outras instituições. ” Com o bico reconstruído, continua ele, “a ave ainda está em fase de adaptação, mas já é possível observar melhora em seu comportamento alimentar. Outra grande vantagem é que isso melhora suas possibilidades de encaminhamento para zoológicos ou criadores legalizados”, enfatizou. Para Pereira, “a utilização das impressoras 3D para a confecção de próteses de bico oferece uma grande vantagem em relação ao modo artesanal, pois torna mais acessível a fabricação de moldes particularizados”, defendeu.
Segundo o Professor Marco Antonio Gioso, orientador de Fecchio, a técnica de próteses de bico com o uso de resina é utilizada na FMVZ há 15 anos. Vários tipos delas vêm sendo utilizados na reconstrução também de carapaças de tartaruga, cascos de cavalo e em todas as partes dos animais que têm queratina. Ele explica que, “as próteses são presas na parte avariada com o uso de colacirúrgica, ou mesmo cola instantânea. Também podem ser presas fisicamente com grampos ou fios de aço”. O resultado da junção da peça é um desafio, explica ele, “pois depende da adaptação do animal e da resistência da área reconstruída. A eficácia da utilização de impressora 3D na confecção de moldes ou peças é relativamente nova e os resultados precisam ser estudados”, ponderou.

 

Atuação do CPTRAS

 

O CPTRAS, que foi vinculado à FMVZ em 2013 e está localizado em Cubatão/SP. No momento abriga 35 animais entre araras, tucanos e passarinhos; a maioria provenientes de apreensões. Segundo Pereira, é comum os animais chegarem debilitados ou com algumas lesões. “Os que chegam por apreensão geralmente se encontram malnutridos, estressados, machucados e com plumagem danificada em decorrência da superlotação nos cativeiros clandestinos. Já os animais resgatados chegam com lesões graves como mutilações, fraturas e problemas neurológicos, devido a atropelamentos, ou com queimaduras causadas por acidentes na rede elétrica.
Ao chegar ao CPTRAS os animais são avaliados quanto às suas condições físicas e chances de destinação para programas de reabilitação/reintrodução ou permanência. Também são vermifugados, recebem alimentação, tratamentos (quando necessários) e ficam em locais apropriados para auxiliar na sua recuperação. Os animais recuperados são destinados a instituições públicas, como zoológicos, ou privadas, como mantenedores de fauna licenciados. No caso de animais ameaçados de extinção, exemplares viáveis são encaminhados a projetos de reintrodução na natureza. O coordenador do Centro espera que agora o tucano recuperado seja destinado a algum zoológico ou criador.

 

Veja o passo a passo da recuperação do animal: