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Qual o papel do Médico Veterinário no Agronegócio?

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Ministro da Agricultura de 2003 a 2006 pede que Médicos Veterinários entrem na cadeia produtiva do agronegócio e ajudem a promover a paz mundial

No último dia 27, o ex-ministro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues ministrou a aula magna O Médico Veterinário no Agronegócio Brasileiro, como parte da programação da Semana de Recepção aos Calouros da 81ª Turma de Médico Veterinários da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.

Rodrigues destacou a importância do agronegócio no Brasil e no cenário mundial. Segundo ele, nosso agronegócio tem sido permanentemente a salvação da balança comercial, mas pondera que o país não tem uma política consistente para mantê-lo dessa forma. “Em 2050 a população mundial será de nove bilhões de habitantes, além disso, a renda per capita, que cresce, sobretudo nos países emergentes,  provoca aumento de demanda por produtos essenciais como alimentos, roupas e bebidas”, destacou.

Para o ex-ministro, esse crescimento tem sido traduzido pelas agências internacionais ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU) como necessidade de se aumentar a produção mundial de alimentos em 70% até 2050. Mas ele prefere olhar para um prazo mais curto, como orienta um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que prevê a meta de crescimento de 20% até 2020.

Rodrigues lembrou que a paz é o que está por traz dessa necessidade de aumento da produção de alimentos. “As grandes guerras são causadas pela falta de comida; o homem com filho com fome é revolucionário, por isso a segurança alimentar é essencial para a paz mundial”, salientou. Ele enfatizou que  “o Brasil é o único país do mundo que reúne as características para atender a esse crescimento preconizado pela OCDE. O mundo, na média, não cresceria sequer 12%”.

O palestrantre acredita que o médico veterinário deve conhecer a realidade técnica, científica e acadêmica, mas também tem de se especializar em logística, infraestrutura, políticas comerciais, creditícias, seguro rural, entre outros. “Precisa ‘entrar’ no processo da cadeia produtiva e participar da criação de políticas públicas que viabilizem os processos do agronegócio no país, como logística e escoamento e estocagem da safra, erradicação da febre aftosa, agregação de valor à produção, entre outros. A Tecnologia é a alavanca da competição, mas é o conjunto dessas ações que vão fazer a diferença”, enfatizou.

Finalizando, o ex-ministro ressaltou que o papel de médicos veterinários, zootecnistas, agrônomos, engenheiros florestais, economistas rurais é contribuir para a manutenção da segurança alimentar. “O maior desafio do mundo é garantir a paz universal, produzindo competitivamente alimentos com todas as regras da sustentabilidade contemporânea.”