Logo USP

facebook

english

español

Professor Spers deixou seu legado

 
Faleceu neste domingo, dia 18 de agosto, com 76 anos de idade, nosso saudoso ex-professor Aleksandrs Spers, sendo enterrado no município de Osasco. Spers nasceu no dia 18 de setembro de 1937 na cidade de Riga na longínqua e fria Letônia. Com sete anos imigrou com seus pais Vladimirs e Olga para a Alemanha, permanecendo nesse país por cinco anos, mudando-se em definitivo para o Brasil em 1949, na cidade de São Caetano de Sul, e em seguida para Osasco, onde agora repousa em definitivo.
 
Spers encarnou de vez o espírito nacional adaptando-se bem ao jeitinho brasileiro, tanto que se naturalizou em 31 de março de 1965. Fascinado pelos animais de fazenda passou no vestibular da então Faculdade de Medicina Veterinária da USP em 1960, se formando em 1963. Teve como colegas de turmas, entre outros destacados veterinários, os também ex-professores Carlos de Souza Lucci e José Américo Bottino.
 
Desde o início de seu curso universitário voltou-se para as atividades da Zootecnia realizando um grande número de estágio extracurriculares na área. Na Faculdade, destacou-se pelas suas atividades desportivas, sendo inclusive Presidente da Associação Atlética do Centro Acadêmico. Mal tinha acabado de se formar e já estava credenciado para julgar características zootécnicas de suínos, nas mais importantes feiras agropecuárias nacionais.
 
Seu primeiro emprego foi como pesquisador do Instituto de Zootecnia, onde permaneceu até o ano de 1970, trabalhando nos postos experimentais de suinocultura em Itapeva, Pindamonhangaba e Sertãozinho. Nesse meio tempo realizou seu mestrado na área de Nutrição Animal e Pastagens na USP.
 
Teve sua primeira experiência como docente na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal, onde lecionou por dois anos a cadeira de Suinocultura, transferindo-se em seguida para o Departamento de Zootecnia da UNESP de Botucatu, então pertencente à Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas, hoje FMVZ.
 
Concluiu sua tese de doutoramento na FMVZ-USP, com a orientação do Prof. Noé Masotti, em 1972, sob os olhares atentos dos seguintes membros da banca: Fernando Andreasi, Arlindo Moreno, Cássio Xavier de Mendonça e Lício Veloso.
 
Na FMVZ da UNESP de Botucatu fez boa parte da carreira universitária, obtendo seu título de Professor Livre-Docente em 1975. Foi braço direito do então Professor Titular João Barisson Villares. Procurando alargar seus horizontes realizou dois estágios de pós-doutoramento, um na Escola de Veterinária Federal de Hannover na Alemanha (78 a 80) e outro na Universidade Complutense de Madri (82-83).
 
Em 15 de agosto de 1991 ingressou na FMVZ-USP, por meio de concurso de público, incorporando-se ao então Departamento de Produção Animal, em Pirassununga, do qual foi Chefe de Departamento. Um ano após seu ingresso tornou-se Professor Titular em Criação de Animais Não-Ruminantes. Acompanhou de perto a criação do Departamento de Nutrição e Produção Animal.
 
Depois de orientar mais de duas dezenas de mestrandos e doutorandos e muitos alunos de iniciação científica, escrever seis dezenas de trabalhos e coordenar vários eventos científicos aposentou-se no dia 3 de março de 2004. Como amava o ambiente acadêmico ainda lecionou por algum tempo na Universidade Federal de Uberlândia e na Universidade de Marília.
 
Embora amadurece-se na idade cronológica Spers continuava a manter seu espírito jovial. Tive a oportunidade vê-lo pilotar, aos 64 anos de idade, um jet-ski, com a perícia de um garoto, na ondulada praia de Peruíbe. Spers cativava a todos pelo seu entusiasmo e alegria contagiante, mantendo sempre um sorriso nos lábios. Gostava do meio acadêmico e era um “habitue” das animadas festas dos estudantes da FMVZ-USP, sendo por eles muitas vezes escolhido como professor-homenageado nas formaturas.
 
Ele deixou três filhos, Rodolfo, Eduardo e Cristina, que lhe deram alguns netos e muitas alegrias.
 
Sua morte deixou entristecida a Comunidade da FMVZ-USP, porém sua alegria, entusiasmo de vida e conhecimento científico sempre serão lembrados por todos nós como seu principal legado.
 
Texto escrito por Enrico Lippi Ortolani.