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Células-tronco são testadas para cura de endometrite crônica equina

CLÁUDIA EMI IZUMI
DE SÃO PAULO

Folha.com

Uma pesquisa com células-tronco mesenquimais provenientes do tecido adiposo para tratamento de endometrite crônica em éguas obteve 100% de êxito em testes preliminares no sul do País.

O experimento realizado em parceria pelo Instituto Butantan e pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) envolveu seis éguas que tinham a doença.

Cerca de 20 dias após a aplicação das células-tronco, todas voltaram a ser saudáveis. O método não é invasivo: usa-se uma pipeta para depositar o material na luz uterina.

"Houve recuperação de tecidos com degeneração avançada", comentou o professor de Medicina Animal/Equinos da UFRGS, Eduardo Malschitzkyl, que participou do estudo com a bióloga Lisley Inata Mambelli, da FMVZ-USP.

A endometrite crônica equina é um processo degenerativo que afeta o tecido endometrial, camada mais interna do útero, deixando-o fibroso. Isso dificulta a gestação e, consequentemente, a reprodução de animais.

A doença surge de repetidas inflamações causadas por agentes infecciosos ou prática médica inadequada, ou mesmo por problemas que surgem com o avanço da idade do animal, explica Claudia Barbosa Fernandes, professora da FMVZ-USP (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da USP).

Se comprovada a eficácia da técnica com o nascimento de potros saudáveis na segunda fase do trabalho, esta será uma alternativa importante para a cura da doença, beneficiando os criadores de cavalos. Ainda não existe tratamento que reverta o processo de degeneração tecidual.

GRUPO DE BOTUCATU

Um segundo grupo, da FMVZ-Unesp (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Unesp de Botucatu), desenvolve uma pesquisa similar, mas com células-tronco mesenquimais provenientes da medula óssea, em uma parceria com a FAPESP/CNPq.

Optou-se por essa fonte de células com base em pesquisas prévias com resultados promissores em outras espécies animais.

A diferença principal entre o grupo do sul e de Botucatu é que, no segundo, as células-tronco chegaram até o útero por endoscopia e injeção.

"Dos 18 animais avaliados, 40% apresentaram uma melhora contundente e 20% tiveram o útero normalizado", conta o professor Marco Antonio Alvarenga, da FMVZ-Unesp. "É uma ferramenta terapêutica muito animadora para éguas consideradas totalmente perdidas em termos reprodutivos."

Os dois estudos ainda não foram publicados em revista científicas especializadas.

CRIADORES DE CAVALOS

Para Daris Lopes Pereira Filho, da ACPCCP (Associação de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida do Paraná), um tratamento para a endometrite crônica eleva os ânimos. "Podemos ter uma reprodutora de um puro sangue inglês, mas devido a várias gestações, idade ou traumas, ela não consegue manter uma gestação."

Pelas normas internacionais, cavalos dessa raça só se reproduzem por monta natural. Vale lembrar que o setor movimenta, por cabeça, valores que variam de R$ 100 mil no mercado nacional a US$ 1 milhão no exterior.

A terapia também beneficiaria a raça mangalarga, em que prevalece a transferência de embriões na reprodução. Após várias coletas por essa metodologia, o sistema reprodutivo do animal pode se comprometer.

"A égua teria que passar por uma gestação natural para reequilibrar a sua saúde", explica João Frugis, criador de cavalos no interior de São Paulo. No caso de uma com endometrite crônica, isso seria praticamente impossível.